LUIS DE CAMÕES – 500 Anos – Biblioteca
Uma Viagem à Índia
de Gonçalo M. Tavares
A Lisboa de onde Bloom parte, como Gama, para a Índia, é e não é a dos Lusíadas, que já era a de um passado eterno quando Camões, evocando-a, a inscreve no nosso imaginário mítico. É só uma capital de um século na sua hora zero, todo presente, e que perdeu ou dispensa todas as bússolas dos viajantes do passado em busca do futuro.
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O autor de Jerusalém celebrizou-se entre nós, e depois no vasto mundo, pelo olhar extraterrestre com que tão familiarmente subverte e converte a visão e a vivência do nosso quotidiano, transfigurando-as, como um prestidigitador à Buster Keaton, numa cena de magia unindo a geometria e o delírio a frio. Com alguma sombra de Pessoa – maior ainda a de Whitman – mas sem lágrimas recalcadas.
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O dispositivo de Uma Viagem à Índia é o de um poema provocantemente épico e anti-épico.
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A sua viagem não desconhece todas as viagens já feitas. Sabe-se outra, como a de Camões se desejou.
(Eduardo Lourenço, prefácio de Uma Viagem à India)
